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Entenda as causas da acne da mulher adulta e saiba como tratá-la

Ter acne é a coisa mais comum do mundo quando se é adolescente. Afinal, é nessa fase da vida que os hormônios e glândulas passam a atuar de forma mais ativa, refletindo em transformações visíveis em todo o corpo, incluindo a pele. As glândulas sebáceas, nesse período, costumam trabalhar a todo vapor, o que pode resultar na presença de cravos e espinhas, em diferentes graus.

acne adulta, por sua vez, é um pouco menos corriqueira do que aquela que se apresenta na adolescência, mas ainda assim atinge uma fatia expressiva da população brasileira, especialmente mulheres. Segundo a dermatologista Samantha Talarico, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a chamada acne da mulher adulta surge ou se mantém após os 25 anos de idade, que é quando a pele inicia seu processo de envelhecimento natural.

Diferentemente da acne “vulgar”, ela é caracterizada pela presença de lesões inflamatórias, mais encontradas no chamado terço inferior da face – mandíbula, região perioral (ao redor da boca), queixo e pescoço -, além de possíveis cicatrizes e hipercromias (manchas causadas pelo excesso de melanina na pele). Outra característica da acne adulta costuma ser a ausência dos “comedões”, ou cravos, quase uma unanimidade até os 24 anos.

De onde vem a acne adulta?

“Existe uma grande probabilidade da acne adulta estar relacionado a anomalias hormonais, as quais devem ser investigadas prontamente para que sejam descartadas (ou não)”, afirma a dermatologista Cláudia Miki. Entre essas anomalias ou alterações, destacam-se condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a Hiperplasia Adrenal.

É por isso que, além das consultas periódicas ao dermatologista, muitas vezes é necessário fazer também um acompanhamento com outros médicos, como endocrinologistas e ginecologistas, para descobrir realmente quais as origens precisas dessa acne.

Samantha explica que as causas da acne da mulher adulta ainda não foram totalmente elucidadas, mas fatores como estresse, exposição aos raios ultravioleta, má alimentação, hereditariedade (como uma deficiência genética que pode levar a uma resistência a bactérias formadoras da acne), tabagismo e presença de doenças endócrinas associadas contribuem para que o problema se agrave. Existe, também, a chamada acne persistente, mais comum delas, que nada mais é do que aquela que se inicia na adolescência e persiste até a idade adulta.

Por falar em alimentação, quando o assunto é acne após os 25 anos, vale ficar bem atenta à sua, que pode ser a principal causa do problema. “Alguns estudos consideram a relação [da acne da mulher adulta] com uma dieta rica em alimentos com alta carga glicêmica (farinha branca, carboidratos processados, açúcar refinado, refrigerantes e chocolate, só para citar alguns), assim como o uso de suplementos alimentares ricos em aminoácidos de cadeia ramificada (como suplementos derivados do soro do leite, comumente usados para ganho de massa muscular)”, explica Cláudia. Além desses, outros aminoácidos como a lisina, arginina, leucina, isoleucina e caseína também são capazes de estimular as glândulas sebáceas e resultar na condição.

Muitas vezes a solução está em evitar o uso desses suplementos, apostando em uma alimentação leve e saudável, onde predominam alimentos mais orgânicos e não-industrializados (como os enlatados e refinados).

Quem tem pele oleosa sempre tem acne adulta?

Não necessariamente, mas a probabilidade é grande. Pessoas de pele oleosa costumam apresentar uma produção excessiva de sebo pelas glândulas, o que pode contribuir para a formação de lesões inflamatórias, configurando a acne adulta. Porém, se você tem pele oleosa e não apresenta o problema, vale continuar mantendo sua rotina clássica de cuidados, por precaução: lave o rosto com sabonete específico duas vezes ao dia, use um hidratante com textura oil-free e finalize com protetor solar.

Tratamento e resultados

Assim como ocorre na acne denominada vulgar, o tratamento da acne adulta costuma ser feito com o uso de medicamentos tópicos ou orais. Quando necessário, principalmente se alguma outra doença associada ao problema for diagnosticada, outras terapias são somadas.

“A grande diferença está na associação com medicações de ação antiandrogênica, exatamente pela importante influência hormonal do quadro. Esse tratamento específico pode incluir desde anticoncepcionais orais específicos (acetato de ciproterona e drosperinona) e demais ativos, como a espironolactona”, completa Samantha.

Vale ressaltar que cada organismo reage de maneiras diferentes a esses tratamentos, com respostas bastante individuais. A gente quer dizer que, sim, infelizmente a acne adulta pode voltar a aparecer, mesmo depois de tratada – mas isso não é motivo para desistências.

Por ser uma condição crônica e apresentar lesões altamente inflamatórias, o uso de medicamentos, nesses casos, serve mais para amenizar e controlar as crises (e cicatrizes) do que erradicar o problema de uma vez por todas. Mesmo assim, investir em acompanhamento médico e terapêutico para tratar a acne adulta pode ter impacto (físico e emocional) mais do que positivo na vida das mulheres afetadas, visto que a acne, dependendo de seu grau, pode influenciar nas relações sociais e contribuir para o surgimento de doenças como depressão e ansiedade.

Por fim, ao primeiro sinal de acne “madura”, consulte um profissional qualificado. Evitar a automedicação, bem como o uso de cosméticos comedogênicos (aqueles que entopem os poros) também contribuem para que o problema seja controlado.

FONTE: M DE MULHER